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CNBB: Mensagem sobre as CEBs
Pedro Oliveira
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Pedro A. Ribeiro de Oliveira
PPGCR – PUC-Minas e
ISER-Assessoria
Com 85% dos votos favoráveis, a Assembléia Geral da CNBB aprovou uma importante Mensagem sobre as Comunidades Eclesiais de Base – CEBs. Tendo perguntado “como viver em comunidade numa sociedade globalizada e urbanizada” e “como transmitir às novas gerações as experiências e valores das gerações anteriores”, os bispos dão sua resposta: “Só uma Igreja com diferentes jeitos de viver a mesma Fé será capaz de dialogar relevantemente com a sociedade contemporânea.” *
A mensagem retoma o Documento nº 25, de 1982, que dá as orientações pastorais para as CEBs e afirma serem elas uma forma de ser Igreja “como o Concílio Vaticano II desejou: uma Igreja toda ministerial a serviço do Reino de Deus”. Na atual conjuntura eclesial católico romana – na qual diferentes grupos, movimentos e “pequenas comunidades” reivindicam o privilégio de representar o catolicismo mais autêntico – a palavra dos bispos não vem definir qual deles é mais católico; vem mostrar a contribuição das CEBs para a Igreja e para o Mundo. E pelos frutos se conhece a árvore...
Este artigo reproduz as passagens mais relevantes para as CEBs hoje, apenas alterando a ordem em que aparecem na mensagem, a qual pode ser acessada na íntegra em
http://www.cnbb.org.br/site/component/docman/cat_view/342-48o-assembleia-geral
As marcas das CEBs
Enquanto “a lógica do mercado expulsa as relações de cooperação e solidariedade e introduz relações de competição nas quais o mais forte é quem leva vantagem”, as CEBs cultivam “as experiências de sociabilidade básica: as relações fundadas na gratuidade que se expressa na dinâmica de oferecer-receber-retribuir. É a solidariedade entre vizinhos – melhor dizendo, entre vizinhas – que assegura o cuidado com crianças, idosos e doentes, por exemplo. Não por acaso, esses espaços periféricos favorecem o desenvolvimento de associações de vizinhança e movimentos que reivindicam melhorias de equipamento urbano”.
“Os discípulos e as discípulas de Cristo nelas se reúnem para uma atenta escuta da Palavra de Deus, para a busca de relações mais fraternas, para celebrar os mistérios cristãos em sua vida e para assumir o compromisso de transformação da sociedade. As comunidades de base são a célula inicial da estrutura eclesial e foco de evangelização e, atualmente, fator primordial da promoção humana”. As CEBs resultam da “emergência de um novo sujeito social na sociedade brasileira, o sujeito popular, que ansiava à participação” e da “emergência de um novo sujeito eclesial, portador de uma nova consciência na Igreja. A interação entre a CEB enquanto organismo eclesial e a comunidade local de vizinhos é uma das grandes contribuições da Igreja à conquista dos direitos de cidadania em nosso País ”.
Sua contribuição para a Igreja
A mensagem qualifica os Encontros Intereclesiais como um “patrimônio teológico e pastoral da Igreja no Brasil e manifestação visível da eclesialidade das CEBs.” Retoma a afirmação do Concílio Ecumênico do Vaticano II de que “a essência íntima de Deus não é a solidão, mas a comunhão de três divinas Pessoas”, para colocar em relevo a necessária união do Povo de Deus. Os bispos lamentam que a maioria das CEBs não tenham a oportunidade de participar da Eucaristia dominical por falta de ministros ordenados, mas reconhecem que "elas podem alimentar seu já admirável espírito missionário participando da ‘celebração dominical da Palavra', que faz presente o mistério pascal no amor que congrega, na Palavra acolhida e na oração comunitária ".
As CEBs se expressam na liturgia, na diaconia e na profecia. “A diaconia educa, cura as feridas, multiplica e distribui o pão e chama para a solidariedade e a comunhão. A profecia anuncia o desígnio de Deus e denuncia os abusos, a mentira, a injustiça, a exploração e exige a conversão. Por isso, sofre perseguição, difamação, morte.” Nos círculos bíblicos e grupos de reflexão “o povo se coloca como sujeito eclesial, assume seu lugar na comunidade e na sociedade. O protagonismo dos leigos nas CEBs é expressão viva de uma Igreja que se renova animada pelo Espírito Santo, é também um sinal de que no discipulado estão surgindo novos ministérios e serviços.”
Enfim, as CEBs por seu compromisso com os mais necessitados, ajudam “a Igreja a descobrir o potencial evangelizador dos pobres; primeiro, porque interpelam a Igreja, chamando-a à conversão; segundo, porque realizam em sua vida os valores evangélicos da solidariedade, serviço, simplicidade e disponibilidade para acolher o dom de Deus".
Conclusão
Depois de apontar os avanços na “espiritualidade do cuidado para com a vida dos seres humanos, de todas as formas de vida e a vida do Planeta Terra”; a “participação ativa de seus membros nos grupos de economia popular solidária, que resgata o sentido originário da economia como atividade destinada a garantir a base material da vida pessoal, familiar, social e espiritual”; e sua contribuição para o diálogo ecumênico e interreligioso “como uma missão de fraternidade cristã, numa atitude de profundo respeito às demais manifestações religiosas, em busca da comunhão universal”, os bispos exortam a paróquia a se transformar em "rede de comunidades e grupos, capazes de se articular conseguindo que seus membros se sintam realmente discípulos missionários de Jesus Cristo em comunhão”.
No final, reafirmam o que está no Documento 25: "Desejamos agradecer a Deus pelo dom que as CEBs são para a vida da Igreja no Brasil, pela união existente entre os nossos irmãos e seus pastores, e pela esperança de que este novo modo de ser Igreja vá se tornando sempre mais fermento de renovação em nossa sociedade".
*Todas as passagens entre as aspas são citações do texto original.
* Sociólogo, Professor no Mestrado em Ciências da Religião da PUC-Minas e consultor do ISER-Assessoria.
Pedro
Oliveira é membro
da equipe de ISER - Assessoria
e
da Coordenação Nacional do Movimento Fé e Política.